09 dezembro 2009

Segurança



Confio em ti, Senhor. 
Sei que estando Tu comigo, tudo irá bem.
Posso descansar...
Em segurança vou navegar...
Quão frágil é meu barco, Senhor.

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27 novembro 2009

Mostra Fotográfica - Quilombolas



Convite virtual para a Mostra Fotográfica do Projeto Quilombolas

A Mostra foi inaugurada ontem, dia 26 de novembro, no Núcleo de Cultura da Universidade Vale do Rio Doce. Além da Mostra, aconteceu também a exibição do documentário e uma Mesa Redonda com a nossa participação (grupo produtor do Projeto), professor Bispo Filho, professora Fernanda Melo e a membro da Associação Afro-Malungus GV, Ana Afro. 


20 novembro 2009

Congresso na PUC de Serro

O nosso documentário sobre as comunidades quilombolas do Baú e Ausente vai ser apresentado no IV Encontro das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais, na PUC de Serro.

Abaixo o release divulgado pela assessora de imprensa da prefeitura de Serro, Maíra Buarque.


IV ENCONTRO DAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS DE MINAS GERAIS

I CONGRESSO NACIONAL SOBRE A LUTA PELA EFETIVIDADE DOS DIREITOS DAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS



A Prefeitura Municipal do Serro, Federação das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais – N’Golo, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – Unidade Serro, Faculdade de Direito Milton Campos – CEFOS, Centro de Referência Elói Ferreira Mendes – CEDEFES e Escritório de Direitos Humanos – SEDESE convidam para o IV ENCONTRO DAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS DE MINAS GERAIS e I CONGRESSO NACIONAL SOBRE A LUTA PELA EFETIVIDADE DOS DIREITOS DAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS.

O evento acontece na cidade do Serro, Minas Gerais, no Auditório da PUC-Minas – Serro, nos dias 20, 21 e 22 de novembro.

Programação:


Local do Evento:

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - Serro

INSTITUIÇÕES ANFITRIÃS:

Federação das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais – N’Golo
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – Unidade Serro
Faculdade de Direito Milton Campos - CEFOS
Centro de Referência Elói Ferreira Mendes – CEDEFES
Escritório de Direitos Humanos – SEDESE
Prefeitura Municipal do Serro

Apoio:
Associação Brasileira de Filosofia do Direito e Sociologia do Direito – ABRAFI
Diretório Acadêmico Ministro Pedro Lessa – PUC Minas Serro
Diretório Acadêmico J. Baracho – PUC Minas São Gabriel
Livraria Editora D´Plácido
Patrocínio:
Companhia Energética de Minas Gerais - CEMIG
Companhia de Saneamento de Minas Gerais – COPASA
Frutivale


20 DE NOVEMBRO DE 2009

07h30 às 8h – CREDENCIAMENTO DOS PARTICIPANTES

08h – Solenidade de Abertura do IV Encontro das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais.
Sandra Maria dos Santos: Presidente da Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais N’Golo.


8h30 às 10h – Mesa: Os Movimentos Sociais e a luta pela efetivação dos Direitos Quilombolas.

Coordenador da Mesa: Quilombola Sandra Maria – Presidente da Federação N’Golo

Mediador/Debatedor: Professor Adalberto Antônio Batista Arcelo.

José Augusto Laranjeiras Sampaio: Mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professor da Universidade do Estado da Bahia e Pesquisador Associado do Programa de Pesquisas sobre Povos Indígenas do Nordeste Brasileiro - UFBA.

Jorge Enrique Mendoza Posada: Mestre em Teoria Econômica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professor Titular de Economia Política e Economia Brasileira da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Coordenador de extensão universitária da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, campus Contagem.

Paula Maria Nasser Cury: Mestre em Teoria do Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Professora de Direitos Humanos e Introdução ao Estudo do Direito da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, campus Serro. Assessora Jurídica da Procuradoria-Geral de Belo Horizonte.

10h às 10h30 – CAFÉ

10h30 às 12h30 – Mesa: Agenda Quilombola e as Políticas Públicas: (Re)pensando a participação dos movimentos sociais na formulação e efetivação de políticas públicas.

Coordenador da Mesa : Quilombola Jesus

Mediador/Debatedor : Professor Matheus de Mendonça Gonçalves Leite

Dario Magno de Miranda Maia: Coordenador Regional de Organização de Metodologia da (EMATER).
Ana Flávia Moreira Santos: Doutora em Antropologia Social pelo Museu Nacional/UFRJ. Analista Pericial em Antropologia do Ministério Público Federal, com exercício na Procuradoria da República de Minas Gerais. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Etnicidade, Territorialização, História Indígena e do Indigenismo, Antropologia e Direito.

Lucia Massara: Diretora da Faculdade de Direito Milton Campos - FDMC. Professora de Direito Civil da Faculdade de Direito da UFMG. Presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família. Advogada. 

12h30 às 14h – Almoço

14h às 18h – WORKSHOP SOBRE TEMAS QUILOMBOLAS

17h às 18h30 – APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS.

19h – Solenidade de Abertura do I Congresso Nacional sobre a luta pela efetividade dos direitos quilombolas.

REFLEXÕES SOBRE A CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE MULTICULTURAL E PLURI-ÉTNICA NO BRASIL: A COEXISTÊNCIA DEMOCRÁTICA DE DIFERENTES CONCEPÇÕES DE VIDA.

20h às 21h – Palestra: O processo de construção da identidade do sujeito constitucional no Brasil: reflexão sobre o conceito de “povo brasileiro” e análise dos mecanismos constitucionais de proteção da identidade negra e quilombola na formação de uma sociedade multicultural e pluri-étnica.

José Emílio Medauar Omatti: Doutor em Direito Constitucional,  Coordenador e Professor do Curso de Direito da  Puc Minas – Serro.

21h às 22h – Palestra: A questão agrária e a questão quilombola em quatro estudos de casos:

1. A Comunidade Negra dos Arturos: o drama de um campesinato negro no Brasil.
2. A Comunidade Negra de Rural de Pontinha: agonia de um modo de produção.
3. A Comunidade Negra Rural de São Domingos e o Programa Fome Zero.
4. Índios Brancos e Índios Negros: os xacriabás e os kaxixós em Minas Gerais.
Romeu Sabará da Silva: Doutor em Antropologia pela Universidade de São Paulo. Professor Aposentado de Antropologia da Universidade Federal de Minas Gerais. Defendeu tese de doutorado com intitulada “Comunidade Negra dos Arturos”.

22h às 22h30 – Debate.

FESTA DO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA.

21 DE NOVEMBRO DE 2009

8h às 9h – Palestra: A luta por reconhecimento da subjetividade dos membros das comunidades remanescentes de quilombo: reflexões sobre a questão quilombola a partir da dialética do senhor e do escravo de Hegel.

Antônio Cota Marçal: Bacharel em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Doutor em Filosofia pela Universitdade Johannk-Wolfgang-Goethe de Frankfurt/Main sob a orientação de Karl-Otto Apel. Professor da Graduação e Pós-Graduação (Mestrado/Doutorado) em Direito da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

9h às 10h – Palestra: O processo histórico-social de reconhecimento dos membros das comunidades remanescentes de quilombos como subjetividades titulares de direitos: a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 como uma etapa do processo universal de reconhecimento da subjetividade dos quilombolas.

Matheus de Mendonça Gonçalves Leite: Mestre em Direito Público pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Coordenador do Núcleo de Assistência Jurídica da PUC-Minas. Professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e da Faculdade de Direito Milton Campos.

10h às 10h30 – CAFÉ

10h30 às 12h30 – Mesa: A conceituação de Territórios Quilombolas e a centralidade da terra para o modo de vida quilombola

Coordenador da Mesa: Quilombola Gilberto

Mediador/Debatedor: Carlos Eduardo Marques: Antropólogo. Professor da FCJ/FEVALE/UEMG de Diamantina. Pesquisador do Núcleo de Estudos Quilombolas e Populações Tradicionais da UFMG (NuQ/UFMG)

Antônio Augusto Miranda de São José: Analista em Reforma e Desenvolvimento Agrário do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Rubens Alves da Silva: Doutor em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo. Professor Visitante da Universidade Federal de Juiz de Fora. Pesquisador do “Núcleo de Antropologia Performance e Drama” da Universidade de São Paulo.

Waldicleide de França Santos Gonçalves: Acadêmica do 10º período do Curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – campus Serro. Estagiária do Projeto de Extensão Cidadão no Papel, que tem como foco os direitos das comunidades remanescentes de quilombos da região do Serro/MG.

12h30 às 14h – ALMOÇO.

14h às 16h – Mesa: Os Direitos Quilombolas: avanços, desafios e entraves na luta pela concretização dos Direitos Quilombolas

Coordenador da Mesa: Quilombola Válter

Mediador/Debatedor: Alexandre Sampaio: Economista e Sociólogo, Pesquisador do Núcleo de Estudos Quilombolas e Pop. Tradicionais da UFMG (NuQ/UFMG)


Daniel Simião: Antropólogo Prof. Dr. do Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMG e pesquisador do Núcleo de Estudos Quilombolas e Pop. Tradicionais da UFMG (NuQ/UFMG) (antropologia e direito diálogos necessários para a concretização dos Direitos Quilombolas).

Paulo Queiroga: Mestre em Gestão Pública (...). Professor do Centro Universitário Estácio de Sá. Presidente da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo.

Lucas de Alvarenga Gontijo: Doutor em Filosofia do Direito pela UFMG. Professor da graduação e da pós-graduação (mestrado e doutorado) da PUC Minas. Professor de Antropologia Jurídica e Filosofia do Direito da Faculdade de Direito Milton Campos - FDMC.

16h às 16h30 – CAFÉ

16h30 às 18h30 – WORKSHOP SOBRE TEMAS QUILOMBOLAS

17h às 18h30 – APRESENTAÇÃO DO DOCUMENTÁRIO “QUILOMBOLAS: BAÚ E AUSENTE – A CULTURA FRAGILIZADA NA FORTALEZA DA FLORESTA”, produzido por Carolina Carvalho, Nara Generoso, Rayany Freitas, Tatiana Silva, Vanessa Sezini, alunas do curso de Comunicação Social/Jornalismo da Universidade Vale do Rio Doce (Univale)

MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS E CULTURAIS

19h às 20h – Apresentação musical Tambores do Mato Tição pelos membros da comunidade quilombola de Jaboticatubas.

20h às 21h – Apresentação de candomblé pela comunidade quilombola de Brejos dos Crioulos.

22 DE NOVEMBRO DE 2009
 
8h – Plenária – Definição das propostas e encaminhamentos do movimento quilombola de Minas Gerais (cartas, moções, documentos do encontro, questões internas e burocráticas da Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais). Temas já sugeridos: regimento interno, CNPJ, sede da Federação, contribuições de sócios.

11 novembro 2009

Sobre o Amor

C.S Lewis

Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, você não deve entregá-lo á ninguém, nem mesmo a um animal.

Envolva o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sem movimento, sem ar - ele vai mudar.

Ele não vai se partir – vai tornar-se indestrutível, impenetrável, irredimível. A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação. O único lugar além do céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e pertubações do amor é o inferno.



[Em "Os quatro amores"]



C.S.Lewis

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30 outubro 2009

Projeto Quilombolas II


A logo já está pronta!!!
Em breve mais novidades....
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Documentário de vídeo sobre as Comunidades Quilombolas do Baú e Ausente, no distrito de Milho Verde, município de Serro, Minas Gerais.
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11 outubro 2009

Meu primeiro amor

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Hay que crecer pero sin perder la ternura jamás.

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video
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A nova versão feita por Tiago Iorc da música My Girl, de The Temptations, sugere que a suavidade do primeiro amor deve estar presente em todas as fases da vida.
O vídeo acima é a versão da banda The Temptations para o filme "meu primeiro amor", com cenas da Vada e do Thomas. Gracinha.


I've got sunshine
Eu tenho o brilho do sol
On a cloudy day
Num dia nublado
When it's cold outside
Quando está frio lá fora
I've got the month of may
Para mim é como se fosse a primavera
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Sumi


Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar.

Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar.

Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência, pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência.

Por Martha Medeiros

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06 outubro 2009

Projeto Quilombolas


Equipe na gravação do documentário. Estávamos na casa de Dona Clemência e Seu José (sentados ao centro).

Comunidade Quilombola Ausente, distrito de Milho Verde.
Município de Serro, Minas Gerais.

Setembro, 2009.

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29 julho 2009

Renúncia

Por que tentar poesia?
O que é poesia?
Um fingimento, já avisava Pessoa.

Para nada tem serventia
Além de rememorar dores de antigos dias
Um desperdício do tempo que voa.

O que faz poesia?
Mergulha a alma em melancolia
Uma falsificação da mentira
que desventurou a mente boa

Desperta apenas emoções vazias
Por pobres declarações tardias.
Palavra que não acalenta, e sim magoa.

Não quero poesia
Quero paz, silêncio, calmaria
A partir de hoje, falar sem rima
Esquecer o fantasiador, que não sabe a quem se doa.

Vanessa Sezini
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17 julho 2009

Porque o simples é mais bonito...

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras fatigadas de informar.
Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão, tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes.
Prezo os insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios: Amo os restoscomo, as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

Manoel Barros

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10 julho 2009

A culpa é sua


Eu sei que um outro deve estar falando ao seu ouvido. Palavras de amor como eu falei, mas eu duvido! Duvido que ele tenha tanto amor, e até os erros do meu português ruim. E nessa hora você vai lembrar de mim...


Eu sei que esses detalhes vão sumir na longa estrada. Do tempo que transforma todo amor em quase nada. Mas "quase" também é mais um detalhe. Um grande amor não vai morrer assim. Por isso de vez em quando você vai, vai lembrar de mim...


Detalhes

Adoro um amor inventado, iê!



É preciso sofrer depois de ter sofrido, e amar, e mais amar, depois de ter
amado.

Guimarães Rosa

21 maio 2009

Quanto tempo até o final da festa?


A questão é: a gente acha que vai viver pra sempre, principalmente quando se é jovem. Os vinte e poucos anos parecem inflamar o ego. O sujeito enche a boca para falar a idade e a frase sai com a entonação de quem pode tudo. A força, a disposição, o destemor característicos do jovem fascinam o espectador.


Talvez essa coragem toda seja pelo tempo, que se pensa ter de sobra. É fácil olhar para a história e ver jovens que se destacaram por esses atributos. Foi a juventude que conseguiu o impechement de um presidente corrupto. Foi na flor da idade que alguns rapazes levaram uma ilha à revolução. Foi uma galera vanguardista que marcou os livros escolares ao optar pela paz e amor ao invés da violência.


Sonhar e planejar são os combustíveis para este vigor. Por isso é que existem jovens de 60 anos. Eles conseguem manter o espírito da perspectiva. O desejo de fazer e acontecer. A expectativa pela novidade, pelas surpresas da vida. Porém, há quem diga que a juventude de hoje canaliza suas energias para o banal. Que é preguiçosa e não liga para as causas importantes, que é facilmente manipulada pelos interesses comerciais dos “poderosos”.


Será essa uma geração perdida, mergulhada na trivialidade? O que se vê, em geral, é um desinteresse pela humanidade, pela injustiça social que está em todo lugar. O que se vê é um constante e desenfreado uso de drogas – lícitas ou não- incentivado pela indústria da música, do cinema e introjetado por mentes inertes, passivas. O que se vê é uma abundância de cabeças confusas, aflitas e desanimadas com o futuro. Nada mais que uma grande perda de tempo.








Pois é, o tempo é uma grande questão quando se trata da juventude. Não há problema em desperdiçar um pouquinho quando se tem tantos anos pela frente. Mas, até quando? Ninguém espera perder um ente querido, principalmente quando este é jovem. Não há justificativa que console isso. O arquiteto Oscar Niemayer quando perguntado, no alto de seus 100 anos, sobre o que é vida disse: “Você nasce, conta uma história e depois vai embora”. Portanto, pensemos nisso. Não é o biógrafo que escreve o enredo, não é após a partida que a história é publicada. Tudo acontece nesse amontoado de pequenos instantes que passam por nós. Não é a toa que a própria Bíblia destaca o papel dos moços. O apóstolo João, em sua primeira carta, ressaltou: “Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já venceste o maligno”. Doravante, escrevamos melhor o próximo ato.

Vanessa Sezini

01 maio 2009

A sustentável ausência da distração eletrônica


Outro dia ouvi uma colega dizer que não imagina a vida sem a internet, pois tudo o que faz, seja trabalho ou lazer, é através da rede. Mais recente, a mãe de uma amiga disse que acompanha todas as novelas da Globo e que quando estas acabam muda o canal para “pegar as da Record”. Achei tudo isso um exagero. Mas, tão logo passei por um - ainda desconhecido- tormento.

Há pouco tempo mudei de casa e, além de perder a internet, minha televisão ficou sem sinal. Quase fiquei doente. Vagava pelos cômodos da casa a procura de distração, estava profundamente abatida. O tédio era aflitivo.
Então, sem minhas ocupações virtuais me lembrei de um velho hábito sufocado pelo corre-corre de todo dia e pela comodidade de assistir tudo resumido na televisão. Me lembrei de outro universo irreal, porém mais fascinante que o orkut. Imergi na literatura.

Entre clássicos e best-sellers adolescentes revivi emoções e sensações adormecidas na insustentável leveza da alma. Visitei Londres, Praga, Alemanha, Rio Grande do Sul e a amena Itabira.
Durante dias observei um homem se metamorfoseando em um inseto gigante. Ouvi confidências de um itabirano apaixonado. Vi um bruxo enterrar um elfo no jardim de uma grande Toca. Por várias vezes desci ao porão de uma casa humilde para, junto com uma alemanzinha, ler para um judeu histórias de livros roubados. Me apaixonei por um vampiro indizivelmente belo e, no tempo fugaz entre um epílogo e outro, também amei um majestoso lobo febril. Mas, agora estou empenhada em descobrir o que importa na vida: se o pólo positivo ou negativo, se o peso ou a leveza de ser.

Enquanto não viro a última página dessa eterna busca, sinto a paz que provém da satisfação da alma. A doce alegria de viver com paixão várias vidas de uma só vez. O tipo de coisa que não se tem no MSN, na novela das oito ou no Faustão.

É claro que não aboli os meios tecnológicos de entretenimento da minha vida. Mas percebi que nenhuma engenhoca se compara com as palavras gravadas artisticamente no papel. O famoso humorista, Groucho Marx, de filmes clássicos como Diabo a Quatro, disse algo extremamente coerente com esta breve reflexão. “Eu acho a televisão muito educativa. Toda vez que alguém a liga, eu vou para a outra sala e leio um livro”. Boa escolha!

Por Vanessa Sezini

Nota: neste texto faço referência aos seguintes livros:

- A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera.
- A Metamorfose, Franz Kafka.
- Antologia Poética, Carlos Drummond de Andrade.
- A menina que roubava livros, Markus Zusak.
- Harry Potter e O Enigma do Príncipe. JK Rowling.
- Crepúsculo, Stephenie Meyer.
- Lua Nova, Stephenie Meyer.

22 abril 2009

Enfim...



Coroai-me de rosas, Coroai-me em verdade, De rosas - Rosas que se apagam Em fronte a apagar-se Tão cedo! Coroai-me de rosas E de folhas breves. E basta.
FernandoPessoa

26 março 2009

Sempre haverá uma canção...



"I saw your face in a crowded place, And I don't know what to do,'Cause I'll never be with you.


Yes, she caught my eye, As we walked on by. She could see from my face that I was, Flying high, And I don't think that I'll see her again, But we shared a moment that will last till the end. You're beautiful, it's true.


There must be an angel with a smile on her face,When she thought up that I should be with you.But it's time to face the truth, I will never be with you."





James Blunt




"Sempre vai haver uma voz cantando tudo de nós."
Kid Abelha

25 março 2009

Resgate

Preciso de tempo para recuperar meus olhos. Ficaram presos no primeiro momento que te vi.
Preciso de tempo para recuperar meus ouvidos. Ainda estão lá, presos naquele riso encantador.
Preciso de tempo para recuperar meus pensamentos. Sempre estão em você.
Preciso mais um pouco de tempo para remir meu coração... Incapaz de dessentir sua presença, de abrir mão da sua doçura, de aceitar o esquecimento.
Preciso mais de mim - do antes de você - mas já não me lembro como era.

Vanessa Sezini

Vício




"O amor é feio / tem cara de vício"

Tribalistas


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Foto: O Brilho Eterno de uma mente sem Lembranças

Meu jeito Plantônico de viver

                                         
























Pensar em você é perder meu tempo. É perder um pouco do que eu sou, do que eu faço, do que eu levo comigo.
Sonhar com você é deixar de me preocupar com o que eu visto, com o que eu como, com o que eu falo.

Te imaginar é mais do que eu posso, é mais do que eu tenho, é mais do que eu devo.
Lembrar de você me traz insegurança, me aflige e às vezes me tira o sono.

Mesmo assim, penso, todo o tempo, em como você está. Tento imaginar seus diferentes jeitos de sorrir, o jeito como gesticula enquanto conversa, em como você me imagina e se imagina.
Me preocupo quando penso que você possa se interessar por uma alma que não a minha, um protótipo de gueixa talvez....

Gosto de me lembrar da sua presença, mesmo que em vultos negros. Gosto de imaginar seu cheiro (um cheiro fresco, de sabonete), seu olhar de perto (um olhar intenso, mas meigo) e o som da sua voz (uma voz engraçada).

Tento, e como tento, não me iludir. Me martirizo por uns instantes, começo a te odiar em outros desses instantes, e oro na maioria deles. Não sei o que dizer quando converso com Deus. Não sei o que pedir, quais palavras usar.

Então, na minha confusão, eu apenas agradeço. Agradeço por existir, por te conhecer e por gostar de sonhar com você, mesmo que todos os dias, mesmo que desde aquele instante, mesmo que apenas isso.

Vanessa Sezini

23 março 2009

Tudo sobre isso


Momento menor, diz a música. Instante eterno. Sentimento efêmero. Tristeza maior, sem melodia
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Coisas lindas, disse o sentimento do mundo, não ficaram. Passaram com o vento e se findaram, sem tempestade.
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O mal-me-quer eu quis sem dar por imaginar esse futuro do pretérito. Um outro fim que seria. Mas já não é.
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Inefável como nada que vi. Nada que desse graça. Feito luz quente numa manhã de inverno. Ofuscante.
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Sem ver eu fiquei por dias. Depois meses. Mais depois perdi a conta. E agora me perdi de tudo.


Por Vanessa Sezini
"Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não
fossem Ridículas".

Fernando Pessoa
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18 março 2009

O que diz o meu "se"

Se eu não te chamo pra conversar, é porque gosto da sua forma de começar um assunto.
Se eu fico calada enquanto você fala, é porque gosto de contemplar sua empolgação com a história.
Se eu fico sem graça quando você me olha, é porque tenho medo de que você não goste de mim.
Se às vezes fico em silêncio quando você me faz uma pergunta, é poque estou distraída olhando seu rosto.
E se eu respondo com outra pergunta, é porque quero aprender tudo que você sabe, conhecer tudo que você gosta.
Se às vezes eu desapareço, é porque sou paranóica e temo que você me abandone primeiro.
Se eu volto e te falo com doçura e extremo carinho, é porque me arrependi de ter sumido e também já te perdoei por - talvez - ter pensado nisso.
Se às vezes sou fria e distante, é porque não quero que você enjoe de mim.
Se eu rir muito sem motivo e começar a tremer, não é por causa do café, é por causa de você.
Se eu me calo quando você se cala, é porque gosto de imaginar no que você está pensando.

Se eu não digo o que realmente sinto por você, é porque prefiro que veja no meu silêncio, no meu riso, no meu nervosismo infantil, na minha distração voluntária, na minha loucura covarde, na minha respiração tensa, na minha timidez, no meu olhar e na minha entrega. Total. Exclusiva e Infinita.

Por Vanessa Sezini


16 março 2009

Falam e depois pensam...



É impressionante como "dizer" é algo complicado. Muitas pessoas falam, falam, mas não dizem nada. Algumas porque não tem sobre o que dizer, outras porque tem medo e preferem deixar pra lá. Existem também aquelas que se expressam mal. Ahhh... isso sim é um problema. E eu sei bem como é isso. Na verdade, sei como é tudo isso.

É tão fascinante quando descubro novos conhecimentos, novas pessoas, novos assuntos. Sinto como se bebesse todos eles. Tanto que, ás vezes, pareço perder a lucidez.
E nem sempre se trata de palavras, mas há momentos que é melhor dizer sem falar. Ruim mesmo é quando se conversa com alguém que não sabe ouvir o que não foi dito. Aí sim, é melhor deixar pra lá.
Por vezes, lastimo certas situações que vejo por aí. Na televisão, nos jornais, no rádio, na pracinha, na escola, no Pentágono, no Vaticano, no Congresso Federal... tanta gente falando, falando, acreditando que estão dizendo. Tanta gente perdendo a razão por perder oportunidades de ficar em calado. Que triste.

Há momentos que me envergonho de não ter o que dizer. Esse é o pior dos males porque todo mundo tem o que dizer, sempre. Não saber fazê-lo é outra questão. Mas eu frenquentemente penso que é melhor não dizer nada a ninguém. Acho que de tanto ouvir abobrinhas por aí me tornei medrosa.

Não quero que pareça que desprezo as opiniões das pessoas. Pelo contrário, valorizo a multiplicidade de pensamentos, as diferentes visões de mundo. Mas o que sinto é o mesmo que Rubem Alves desabafou em seu texto "Escutatória". As pessoas não dão importância ao silêncio, ao exercício de pensar sobre o que o outro fala. Na verdade ninguém ouve o que o outro fala, mas finge atenção enquanto pensa no que vai fazer à noite, no banho que tem que dá no cachorro, na morte da bezerra ou numa maneira de se opor às idéias do pobre coitado que está tentando estabelecer um diálogo. Parafraseando Rubem Alvez: "A gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer". Ou seja, quando não se ignora o que o outro diz, faz pior, despreza.

Por isso acredito que a cautela seja um bom remédio para essa arrogância inerente a todos. A consciência de que eu não sou a dona da razão pode não me impedir de dizer tolices, mas com certeza me impedirá de enunciá-las de forma pretensiosa (Michael de Montaigne).

Depois de tanto lastimar aprendi (e ainda aprendo), com a vida, a ouvir. Do mesmo jeito que existem várias formas de não saber dizer, também existem várias maneiras de saber ouvir. O importante mesmo é ouvir mais, falar menos e não interromper enquanto outro fala, principalmente os mais velhos ( Sandra Teixeira, minha mãe). Afinal, não é o que entra pela boca do homem que contamina o homem, mas o que sai de sua boca; isto sim, contamina o homem (Jesus, no livro de Mateus). Este sim, sabia o que estava dizendo.

Por Vanessa Sezini
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13 março 2009

Minha Vida

Talvez tudo isso seja esquecido.
Talvez tudo seja sem sentido.
Cansativo.
Desconhecido.
Talvez seja o fardo que sempre terei de carregar
Como meu crime e meu castigo.

Por Vanessa Sezini


Meus sentidos e minha saudade

Minha saudade tem o gosto da noite, da irresponsabilidade.
Tem o sabor exótico de uma fruta que não se encontra mais.
Um sabor de infância...de lembrança.

Minha saudade tem o cheiro dos segredos
das brigas e das reconciliações.

Minha saudade tem o som da cachoeira
o som do riso, das brincadeiras
das conversas jogadas fora.

Minha saudade tem o verde do campo
o cinza da cidade
o azul daquela vista pra o mar.

Minha saudade tem o calor de um abraço
o frio das madrugadas na varanda
Tem a sensação da novidade.

Ela está em todos os meus sentidos
e me faz ver sentido em tudo que eu vivo.
Ela é uma música que me ajuda a entender algumas das maravilhas de existir...
cumplicidade, lealdade: amizade!

Por Vanessa Sezini
....



"Para conseguir a amizade de uma pessoa digna 
é preciso desenvolvermos em nós mesmos as qualidades que naquela admiramos."
Sócrates 

10 março 2009

Onde nascem as idéias?




"A coisa mais importante é criar"
Picasso
...




Onde a estrada vai...




Ando ligeiramente feliz ultimamente, a passos tímidos mas determinados pra não sei aonde.
Ando pelos cantos espreitando as possibilidades, caminhando rumo ao incógnito.
Feliz eu sigo, sorrindo e às vezes, muitas vezes, chorando. E de vez em quando alegre.
Ando pra cá e pra lá, sempre buscando sair do lugar. Mesmo que isso signifique risco.
Ando sonhando, mais que sempre e, pra ser sincera, muito. Mas não fico parada. Eu ando.
Já andei querendo desistir. Chorei muito pelos calos nos pés, pelo cansaço e também pela sede.
Mesmo que devagar, quase parando, lá vou eu!
Eu sei que só começei. E pode ser que eu tenha muito ainda que andar... ou não.
Por isso eu ando... para descobrir se existe um fim ou se a estrada termina antes de acabar.
Seja o que for eu vou gostar. Porque encontrarei peregrinos, andarilhos, atletas, estrangeiros.
Porque conhecerei todos eles, conversarei com eles e me lembrarei de todos quando estiver sozinha.
Sei que sentirei saudades de alguns, mas também sei que estarão caminhando para outro destino e eu não poderei tê-los comigo. Ficarei triste muitas vezes, muitas, muitas. Mas é assim. O meu caminho eu que devo trilhar. E eu vou gostar. Porque eu gosto de andar.

Por Vanessa Sezini


"Se alguem numa curva me convidar
eu vou lá que andar é reconhecer, olhar.
Eu preciso andar um caminho só.
Vou buscar alguém que eu nem sei quem sou."
Rodrigo Amarante
...

Quando se cansa


Quanta bobagem que eu sinto. Pura Criancice. Um amontoado de idéias impossíveis, amores pouco prováveis.
Realidade negada e criação do meu mundo perfeito. Imaginar, imaginar, imaginar... é só o que eu faço, acreditando ser a melhor maneira de me proteger de decepções futuras.

Não tento fingir que está tudo bem, eu sei que a possibilidade da mágoa é maior que a da felicidade.
Tento me distrair, e por vezes me iludo, mas não me engano. Minhas situações detalhadamente planejadas nunca acontecerão, mas eu me sinto bem em pensar que sim.

Tantas vezes sofrendo por deduções, interpretações do que não foi visto e nem dito. Tanta alegria a minha volta, pessoas contentes que se entregam aos seus sonhos, realizações descritas e percebidas a olhos nus.
É tanto... mas tanto, que nem sei como, nem quando, nem por que. Triste história do final previsível. Sem final.

Por Vanessa Sezini

06 março 2009

Leve



˙·٠•● εïз...

"Seja leve como um resto de nuvem... como plumas...
sopros...
Não perca sua infinita volubilidade...
de pássaro...
e sua incálculável imperfeição...
Seja uma eterna dançarina do efêmero...
graciosamente....
sempre leve"

Vinícius de Morares, com leves alterações ^^

Em noite de Lua cheia Lobisomens e Vampiros se encontram

Aquela noite São Jorge estava folgado. A lua era absurdamente grande e brilhante.
- Tá vendo o rio?
-Tô

Sensações... e depois arrepios de frio. O lugar alto era para ficar mais perto do céu.
-Vamos fugir?
-Deste lugar baby?

Sorrisos... e depois trocas de olhares, perto demais. As frases soltas eram pra aliviar a tensão.
- Eu menti. Aqui tem um mirante sim.
- Você já foi lá?
- Claro que não! Só vai lá quem está com más intenções.

Silêncio... e depois um abraço de desculpas. O desejo tinha mais peso que a consciência.
- Quando a gente vai se ver de novo?
- Só daqui há uns três anos
- Vai demorar isso tudo não
- Espero que quando você volte eu esteja longe
- Aonde?
- Qualquer lugar



Eles se beijaram como se São Jorge não estivesse ali, espiando tudo. Era muito quente, quente ao vento frio...
- A gente tinha que colocar nossa bandeirinha aqui.
- Já imaginou se todo mundo que vir aqui colocar bandeirinhas?...Não vai ter onde pisar...

Um barulho terreno interrompe a "performance" das almas. Elas então, flutuam até a nave, de onde cada centimetro de céu é mais perfeito.
Silêncio
Beijo bom
Beijos

Carinhos viciantes em viciados... um vício perigoso... soporífico.
Estranha vontade de dormi.
Estranha vontade de querer...o querer.
Pena que só querer não basta. Tem que ser, estar, viver, ser. Tem que ter sentido, tem que fazer sentido, é preciso ser o sentido.
É preciso sentir algo a mais que o simples querer. É preciso encontrar a alma que se quer, o bem-querer,e aí então, querer e realizar o que sempre se quer... pra sempre.

Por Vanessa Sezini

03 março 2009

Ela, o céu, as estrelas e um garoto




Ainda me lembro daquelas noites de Cruzeiro do Sul. Horas na varanda escolhendo uma estrela. Era como um ritual. Ele praticamente me obrigava a estar lá, sempre às 22h30. Eu não precisava fazer nenhum pedido se eu não quisesse, também não tinha que me preocupar em conversar, cantar, sonhar ou qualquer coisa parecida. Só precisava estar ali, olhando para o céu.

É engraçado porque, normalmente, os românticos sonhadores escolhem a estrela mais bonita, memorizam sua localização exata e então se apropriam dela. Mas, para ele não podia ser assim. Toda noite tinha de ser uma estrela diferente. Ele não se satisfazia com o previsível, gostava de tentar adivinhar qual eu tinha escolhido. Mas dificilmente acertava. Acho que foi por isso que se interessou por mim.

Quando acontecia algo de caráter extraordinário que atrapalhasse nossa rotina de ver estrelas, ele me acordava no dia seguinte com uma descrição detalhada da sua noite anterior. A mensagem chegava minutos antes de o despertador começar a incomodar. A posição e o tamanho da lua não eram esquecidos em seus relatórios, como também a quantidade e densidade de nuvens. Praticamente o garoto do tempo.

Não sei por que ele gostava de fazer isso, e muito menos por que eu gostava tanto de tudo isso. Acho que pensávamos que isso nos aproximava.
Era como um contrato, uma maneira de impor lembranças, de prender esses instantes de contemplação no inconsciente do outro. Uma forma de sermos eternos na memória do outro, ou pelo menos enquanto existir estrelas. Nem mesmo a infinidade de montanhas, rios e florestas entre nós dois, podia nos fazer esquecer da saudade. Por que? Como?... Eu também não sei. Essa deve ser uma daquelas coisas que não se consegue explicar.

O que eu sei é o que eu sinto. Ainda hoje sinto. Mesmo sabendo que ele não pode mais.
Agora fico sozinha a ver estrelas. Por horas tento encontrar a que se pareça mais com ele. Sei que ele também me procura entre as pessoas do mundo. Mas também não deve ser fácil me encontrar. Lá de cima a gente fica parecendo formiga. Uma multidão de formiguinhas correndo de um lado para o outro. Trabalhando, estudando, cuidando da vida e esquecendo que ela está passando.
Passa, passa muito rápido. Tão veloz quanto uma estrela cadente. Quando nos damos conta que ela está ali, não dá mais tempo de fazer o pedido. E os desejos não se realizam.
A vida passou para ele, mas a saudade vai durar para sempre. Pelo menos enquanto existir o céu, ele existirá em mim.

Por Vanessa Sezini

Tá cá eu agora!

Abandonei o zip.net porque era muito monótono... sempre as mesmas cores, os mesmos layouts, ahhh!!! Não aguentei.

O chato é que não tem como importar os textos, mas vou apelar para o velho e bom Crtl c + Ctrl v e resolver essa questão importantíssima da minha vida.

Até a próxima postagem então...

Au Revoir