16 março 2009

Falam e depois pensam...



É impressionante como "dizer" é algo complicado. Muitas pessoas falam, falam, mas não dizem nada. Algumas porque não tem sobre o que dizer, outras porque tem medo e preferem deixar pra lá. Existem também aquelas que se expressam mal. Ahhh... isso sim é um problema. E eu sei bem como é isso. Na verdade, sei como é tudo isso.

É tão fascinante quando descubro novos conhecimentos, novas pessoas, novos assuntos. Sinto como se bebesse todos eles. Tanto que, ás vezes, pareço perder a lucidez.
E nem sempre se trata de palavras, mas há momentos que é melhor dizer sem falar. Ruim mesmo é quando se conversa com alguém que não sabe ouvir o que não foi dito. Aí sim, é melhor deixar pra lá.
Por vezes, lastimo certas situações que vejo por aí. Na televisão, nos jornais, no rádio, na pracinha, na escola, no Pentágono, no Vaticano, no Congresso Federal... tanta gente falando, falando, acreditando que estão dizendo. Tanta gente perdendo a razão por perder oportunidades de ficar em calado. Que triste.

Há momentos que me envergonho de não ter o que dizer. Esse é o pior dos males porque todo mundo tem o que dizer, sempre. Não saber fazê-lo é outra questão. Mas eu frenquentemente penso que é melhor não dizer nada a ninguém. Acho que de tanto ouvir abobrinhas por aí me tornei medrosa.

Não quero que pareça que desprezo as opiniões das pessoas. Pelo contrário, valorizo a multiplicidade de pensamentos, as diferentes visões de mundo. Mas o que sinto é o mesmo que Rubem Alves desabafou em seu texto "Escutatória". As pessoas não dão importância ao silêncio, ao exercício de pensar sobre o que o outro fala. Na verdade ninguém ouve o que o outro fala, mas finge atenção enquanto pensa no que vai fazer à noite, no banho que tem que dá no cachorro, na morte da bezerra ou numa maneira de se opor às idéias do pobre coitado que está tentando estabelecer um diálogo. Parafraseando Rubem Alvez: "A gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer". Ou seja, quando não se ignora o que o outro diz, faz pior, despreza.

Por isso acredito que a cautela seja um bom remédio para essa arrogância inerente a todos. A consciência de que eu não sou a dona da razão pode não me impedir de dizer tolices, mas com certeza me impedirá de enunciá-las de forma pretensiosa (Michael de Montaigne).

Depois de tanto lastimar aprendi (e ainda aprendo), com a vida, a ouvir. Do mesmo jeito que existem várias formas de não saber dizer, também existem várias maneiras de saber ouvir. O importante mesmo é ouvir mais, falar menos e não interromper enquanto outro fala, principalmente os mais velhos ( Sandra Teixeira, minha mãe). Afinal, não é o que entra pela boca do homem que contamina o homem, mas o que sai de sua boca; isto sim, contamina o homem (Jesus, no livro de Mateus). Este sim, sabia o que estava dizendo.

Por Vanessa Sezini
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