22 julho 2013

Que poema de Fernando Pessoa eu sou

Fernando Pessoa. Foto: reprodução. 

O site Educar para Crescer disponibilizou um teste, desenvolvido por Fernando Segolin - professor de Literatura e Crítica Literária da PUC-SP, para descobrirmos com qual poema de qual heterônimo pessoano nos identificamos.

O meu resultado foram os três abaixo:

O Livro do Desassossego, de Bernardo Soares

“A vida é para nós o que concebemos nela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.
Isto não vem a propósito de nada.

Tenho sonhado muito. Estou cansado de ter sonhado, porém não cansado de sonhar. De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos. Em sonhos consegui tudo. Também tenho despertado, mas que importa? Quantos Césares fui! E os gloriosos, que mesquinhos! César, salvo da morte pela generosidade de um pirata, manda crucificar esse pirata logo que, procurando-o bem, o consegue prender. Napoleão, fazendo seu testamento em Santa Helena, deixa um legado a um facínora que tentara assinar a Wellington. Ó grandezas iguais à da alma da vizinha vesga! Ó grandes homens da cozinheira de outro mundo! Quantos Césares fui, e sonho todavia ser.
Quantos Césares fui, mas não dos reais. Fui verdadeiramente imperial enquanto sonhei, e por isso nunca fui nada. Os meus exércitos foram derrotados, mas a derrota foi fofa, e ninguém morreu. Não perdi bandeiras. Não sonhei até ao ponto do exército, onde elas aparecessem ao meu olhar em cujo sonho há esquina. Quantos Césares fui, aqui mesmo, na Rua dos Douradores. E os Césares que fui vivem ainda na minha imaginação; mas os Césares que foram estão mortos, e a Rua dos Douradores, isto é, a Realidade, não os pode conhecer.

Atiro com a caixa de fósforos, que está vazia, para o abismo que a rua é para além do parapeito da minha janela alta sem sacada. Ergo-me na cadeira e escuto. Nitidamente, como se significasse qualquer coisa, a caixa de fósforos vazia soa na rua que se me declara deserta. Não há mais som nenhum, salvo os da cidade inteira. Sim, os da cidade dum domingo inteiro – tantos, sem se entenderem, e todos certos.
Quão pouco, no mundo real, forma o suporte das melhores meditações. O ter chegado tarde para almoçar, o terem-se acabado os fósforos, o ter eu atirado, individualmente, a caixa para a rua, mal disposto por ter comido fora de horas, ser domingo a promessa aérea de um poente mau, o não ser ninguém no mundo, e toda a metafísica.
Mas quantos Césares fui!”
(27/06/1930; em “Livro do Desassossego”)

O poeta Fernando Pessoa tinha uma atração peculiar por Bernardo Soares. Para início de conversa, ele o classificava de semi-heterônimo porque: “não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela”. Ou ainda: “Sou eu menos o raciocínio e a afetividade.” É importante destacar que foi por meio de Bernardo Soares, autor de “O Livro do Desassossego”, espécie de diário em prosa poética escrito a partir de 1914 que o poeta Fernando Pessoa mais sinceramente falou de si mesmo. 

Boca Roxa e Sim, Ricardo Reis

“Bocas roxas de vinho,
Testas brancas sob rosas,
Nus, brancos antebraços
Deixados sobre a mesa;

Tal seja, Lídia, o quadro
Em que fiquemos, mudos,
Eternamente inscritos
Na consciência dos deuses.

Antes isto que a vida
Como os homens a vivem
Cheia da negra poeira
Que erguem das estradas.

Só os deuses socorrem
Com seu exemplo aqueles
Que nada mais pretendem
Que ir no rio das coisas.
(“Bocas Roxas”, 08/1915)

e

“Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.”

(“Sim”; 07/1931)

Ricardo Reis é o poeta clássico, de formação católica rígida e monarquista. Entre os heterônimos, tem o temperamento mais “certinho”. Sua poesia transpira fatalismo, de quem se sente marcado pelo fado antes mesmo do nascer. Por isso, acredita Reis, o melhor a fazer é aceitar o que acontece e levar a vida sem grandes alegrias, nem tristezas, evitando as paixões, porque elas passam e causam sofrimento.

Apontamento, Álvaro de Campos

“A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmo, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
(“Apontamento”; 1929)


Cosmopolita, trilíngue (inglês e francês, além do português natal), alma andarilha, Álvaro de Campos é o oposto de Caeiro. Gosta das máquinas e engrenagens e das sensações da grande cidade – esse é o seu lado eufórico. Mas também é o heterônimo de Pessoa que mais se desiludiu com a própria poesia, admitindo que tudo o que escreveu não passou de palavras, ilusão.

Amor científico


"Amor...
Uma propriedade emergente de reações químicas complexas que ocorre no sistema límbico.
Portanto...
Deixe seu coração em paz.
Ele apenas bombeia sangue".

Banner maravilhoso que peguei desta página no Facebook. 

20 julho 2013

Escola Bíblica de Férias

Hoje participei como voluntária da Escola Bíblica de Férias (EBF) da 1ª Igreja Presbiteriana de Samambaia Sul, Distrito Federal. Me lembrei de quando era criança e participava das EBFs na minha igreja em Ferruginha, Minas Gerais. De quando, mesmo criança, gostava de sair com minha amiga Andrea pelas ruas da vila para evangelizar. Me veio à cabeça a importância que é "ensinar à criança o caminho em que deve andar" e como esses ensinamentos fizeram e fazem diferença na minha vida. Mesmo depois de tantos caminhos percorridos, tantas histórias vividas, tantas fases superadas e alguma idade e quilinhos a mais, minhas recordações são nítidas em imagem e som, como se tudo tivesse acontecido há poucos meses.

Agradeço a Deus por ter me proporcionado uma infância rica em aprendizado bíblico, principalmente sobre a importância de amar a Ele sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo. Ainda que hoje não entendam, essas crianças irão crescer e olhar com carinho para esse precioso tempo vivido na melhor época da vida.



Cama elástica

criança na cama elástica

Não tem fotos dos momentos de cânticos e estudo bíblico porque eu estava muito entretida participando de tudo :) 



15 julho 2013

Manifestação Pacífica em Brasília

Dia de final da Copa das Confederações, 26 de junho de 2013, quando alguns se reuniram na Esplanada dos Ministérios em Brasília, Brasil, para uma manifestação pacífica pedindo respeito, educação de verdade, saúde de verdade e reforma política.

Ordem no Congresso
Congresso Nacional Brasileiro
Déjà vu

Manifestação
Geração Y

V de Vinagre 

#SemFiltro

Hipsters da capital 


Como diria a minha vó: "É isto". 


Nunca vi tanta PM reunida num lugar só 

"Caminhando e cantando seguindo a canção"


Nota: o programa online usado para edição das imagens é o Pixlr Express. 






25 junho 2013

Renan Calheiros Fanfarrão

#PiadaDoDia

'Temos que tornar mais assíduas as consultas à sociedade", diz Renan Calheiros





HAHAHA

Será que ele lembra do abaixo-assinado (em fevereiro) que reuniu 1,6 milhão de assinaturas - o equivalente a 1% do eleitorado brasileiro - contra a permanência dele como presidente do senado? Claro que lembra... como também é CLARO que tripudia.

A declaração acima é um retrato do desrespeito à inteligência alheia. O presidente do senado, assim como outros tantos políticos brasileiros, debocham dos esforços  da sociedade civil organizada - como o Movimento Anticorrupção, por exemplo, em fazer a voz do povo ser ouvida.

A mídia tradicional não repercute ações mais "discretas", como abaixo-assinados, apresentações de projetos de lei, denúncias no Conselho de Ética etc. É por esse e outros motivos que não diminuo a recente onda de manifestações nas ruas em detrimento de meios "legais" e fluxos burocráticos estipulados por uma esquisita democracia.

O #VemPraRua é válido, é democrático, é o último recurso de um povo cansado, enojado. Antes da recente onda de manifestações nas ruas, a voz do povo - de fato - não era ouvida.

30 abril 2013

Natureza versus Criação


Eu suporia que herdei um sistema nervoso altamente reativo, mas minha mãe insiste que eu era um bebê tranquilo, não do tipo que chuta e chora com um estouro de balão.

Tenho tendência a ser muito insegura, mas também tenho muita coragem em minhas próprias convicções. Sinto-me terrivelmente desconfortável em meu primeiro dia em uma cidade estrangeira, mas amo viajar.

Eu era tímida quando criança, mas superei o pior disso.

Trecho do livro "O Poder dos Quietos" de Susan Cain.

Nota: um dos estudos apresentados no livro defende que as pessoas nascem introvertidas, uma vez que as estatísticas indicam que bebês mais reativos se tornam adultos mais cautelosos /quietos / desconfiados.

25 abril 2013

Escrever, por Kafka

Nunca se está sozinho o suficiente quando se escreve, nunca haverá silêncio o suficiente quando se escreve, nem a noite é noite o bastante. 


Franz Kafka.


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Comer, rezar, amar



"Se for pra chorar pelo leite derramado, que seja leite condensado".

Filme Comer, Rezar e Amar.





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19 abril 2013

Escritos da Maturidade #7



Não só devemos tolerar as diferenças entre indivíduos e entre grupos, como devemos de fato aceitá-las com satisfação e considerá-las enriquecedoras de nossa existência.

Albert Einstein - Escritos da Maturidade, pág. 23.







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Cabeçalho com fotos de CubaGallery, no Flickr



Encontrei as duas fotografias do cabeçalho do blog nesta galeria formidável no Flickr: CubaGallery